domingo, 17 de março de 2019

hYbris em processo...


Primeiro, os caminhos que se traçam no palco. Definidos. Sabemos de onde vimos e o destino de cada um. Agora, tentar perceber, afinal, porque somos tão importantes para os Outros. Eles que nos pediram esta cedência-corpo para também se descobrirem. E correm os dias, assim, para que possamos sorrir mais ainda e acreditar. No Outros. Principalmente em Nós.















domingo, 10 de março de 2019

Ensaiar...




Não deixa de ser um dos momentos mais importantes e esperados. A marcação cénica traz a visão do encenador e com ela surgem pormenores que darão mais corpo às personagens. Foi o que fizemos. Repete-se muito, interrompe-se, procuram-se soluções para obstáculos imprevistos. Mas o espetáculo já lá está. As luzes, o som, os figurinos que se vão alterando, aos poucos. Ouvir o Outro, perceber a biomecânica corporal em prol da fluidez cénica, o equilíbrio das cenas no palco... Limpar, limpar. Menos é mais. E, aos poucos, vai crescendo esta vontade de vencer este desafio. Voltamos a querer ser maiores do que os deuses.

Somos hYbris, por isso.

Fiquem hYbris.












sábado, 2 de março de 2019

E tudo está bem...



E tudo está bem quando se partilham paixões, sorrisos, olhares cúmplices. E tudo está bem quando há compreensão e se percebe que se encontra equilíbrio na simetria do que somos uns dos outros. Eu, Um Lado, Tu Um Lado, Nós no caminho para um Todo. Ouvir o Outro, apercebermo-nos do espaço que ocupa para nele podermos entrar de forma honesta, verdadeira. E surgem mundos que fazem falta e que sempre lá estiveram. Levanto-me, dou-te o lugar, sentas-te, chegas-te para um lado para me poder sentar. O Palco onde nos encontramos. O Palco onde amamos. Onde fingimos, onde mentimos, onde nos mascaramos. 


E tudo está bem quando...













sábado, 16 de fevereiro de 2019

De forma subtil...



E aos poucos, sem que se apercebam ainda, começam a deixar de ser quem são na vida real para deixarem que os Outros vos tomem e vos sussurrem, aos ouvidos estamos aqui e esta é a vossa hora... E com pequenos passos, é para lá que caminhos. 




Fiquem hYbris.














Tampas-Vida...







Lembro-me de lhes ter chamado Tampas-Vida. Vejo-as movimentarem-se, ouço o respirar de cada um que nelas habita. Sorriem umas para os outras, zangam-se, acham o atrevimento daquela uma vergonha, uma desgraça, tudo. E o espaço enche-se de novo, a Vida volta a pulsar. E é tão bom voltar a sentir tudo isto.



Como o volante de Campos.



(Obrigado, NV!)















domingo, 10 de fevereiro de 2019

... sobre a ausência...



















All the world’s a stage,
And all the men and women merely players;
They have their exits and their entrances;
And one man in his time plays many parts,
His acts being seven ages. At first the infant,
Mewling and puking in the nurse’s arms;
And then the whining school-boy, with his satchel
And shining morning face, creeping like snail
Unwillingly to school. And then the lover,
Sighing like furnace, with a woeful ballad
Made to his mistress’ eyebrow. Then a soldier,
Full of strange oaths, and bearded like the pard,
Jealous in honour, sudden and quick in quarrel,
Seeking the bubble reputation
Even in the cannon’s mouth. And then the justice,
In fair round belly with good capon lin’d,
With eyes severe and beard of formal cut,
Full of wise saws and modern instances;
And so he plays his part. The sixth age shifts
Into the lean and slipper’d pantaloon,
With spectacles on nose and pouch on side;
His youthful hose, well sav’d, a world too wide
For his shrunk shank; and his big manly voice,
Turning again toward childish treble, pipes
And whistles in his sound. Last scene of all,
That ends this strange eventful history,
Is second childishness and mere oblivion;
Sans teeth, sans eyes, sans taste, sans everything.



(from William Shakespeare, As You Like It, spoken by Jaques)



Quis o maior Dramaturgo de todos os tempos que fosse ele a imortalizar uma das maiores verdades com que todos nos deparamos: o mundo é um palco onde todos nós nos movemos como atores. Como se obedecêssemos a uma espécie de desígnio lançado pelos Deuses, vamos saindo e entrando do e para o palco como a rotina diária que cumprimos. E quando nos deitamos, apercebemo-nos que a Vida parece ser, umas vezes, muito injusta, outras, parece, simplesmente, sorrir-nos. Contracenamos no comboio, em casa, nos cinemas, nos bares, a ouvir um qualquer saxofone perdido na noite enquanto, algures se suspira através de uma janela, no trabalho, no carro, enquanto murmuramos uma cantiga-memória que agora passa no rádio. Encontramo-nos uns com os outros, sorrimos, choramos, rogamos pragas, agradecemos o bem que vamos tendo... As rotinas, o respirar, as pontes atravessadas enquanto nos agarramos a outro, o perigo que espreita, ali, com um sorriso… Alguém fica a dormir numa cama, aninhado em sonhos que nos elevam ou nos aliviam, assim que abrimos os olhos.

Sim, digo, sim, dizes e depois, perguntas, depois, penso, o mundo.

E a estrada passa a ser percorrida à velocidade que nos deixarem. 

Tal e qual como na Vida.

Tal e qual como no Palco.