sábado, 1 de junho de 2019

Ao hYbris Théatron, ao Público, aos Deuses.









Sabem? A minha paixão pelo teatro começou quando eu tinha 18 anos. Tinha acabado de entrar para a faculdade e foi nesta altura que também disse “Boa noite” a quem muito queria para depois ir “com as aves”. Uma cidade gigantesca, prédios, autocarros, pessoas e mais pessoas, desespero, cansaço, saudades…

Aos poucos, deixei-me invadir pela cidade-menina e quando dei por mim, estava apaixonado por ela. Sem querer, e a partir de um convite de uma amiga (ainda me lembro do nome dela, Teresa…), fui parar ao Teatro da Faculdade. Quem o ia orientar era uma pessoa chamada João Grosso, nome que me era totalmente desconhecido. Hoje, falar do João é falar de magia, do teatro na sua verdadeira Essência. Altos e baixos depois, ficou-me instalado um “bichinho” que nunca mais saiu. Passou a fazer parte da minha vida…

Sem que contasse, como tanto na Vida, vim parar a esta escola. Na altura, houve quem tivesse reconhecido esta nobre Arte e assim nasceu um palco. Por muito que o espaço onde se encontre não seja o mais adequado, tornou-se o Espaço-Teatro. Mais tarde surgiu o nome do Grupo. E ligado a este nome foram tantos e tantos os que o sentiram e que lhe acrescentaram Vida. Estar-lhes-ei eternamente grato. Sempre. São muitas as saudades. Às vezes avassaladoras. Mas como cantava tão bem Freddie Mercury, “The Show Must Go on”. E continuei a sonhar, a querer mais. Depois, veio a Incompreensão, o Obstáculo, os Homens Cinzentos de “Momo”. O Teatro parou. Quase morreu. Ficara um sonho. O de sentir a cumplicidade dos menos novos, o de partilhar paixões com pessoas que também gostavam de o fazer e cujas vidas permitiam, apesar de todas as dificuldades. E conseguiu-se. De forma muito tímida, inicialmente e depois o Grupo a crescer cada vez mais, a reinventar-se ensaio a ensaio.

Já há alguns meses que andamos nisto. Sextas. Sábados. Domingos. Deixámos de saber o que é não ir um dia à escola. Porque vale a pena amar a Arte. Vale a pena estar em cima de um palco. Vale a pena sentir que nos emprestamos a quem de nós se quer dar a conhecer. Somos. E somos instrumentos de vontades, de desejos, de sonhos, de frustrações, de preocupações. Rimos muito, discutimos ideias, apoiamo-nos, auxiliam-nos. Tem sido sempre assim no hYbris Théatron ao longo destes anos. Também choramos, também nos arrependemos, também nos incompreendemos. Mas estamos lá. E agora, nesta fase, cansados, muito mesmo, a tentar manter ritmos, a encher o palco. E, no fim, para tudo vos dar, ao público. Aos Deuses. Porque só assim faz sentido. E fica sempre o desejo, o pedido. Venham ver-nos. Permitam-nos dar-vos tudo isto. Venham, connosco, celebrar momentos bonitos da Vida. Troquem, connosco, sorrisos, abraços quentes, toques de mãos, piadas. Porque o Teatro merece. Porque a Vida merece. Ou apenas porque sim. 



Em Junho. No dia 21. Às 21 horas. No Espaço-Teatro.






Cá vos esperamos. Fiquem hYbris.










quarta-feira, 27 de março de 2019

Reviver...


Revivalismos. As músicas que nos encheram os dias. Que ainda nos fazem sonhar. Queen. Metal. WaterBoys. Duran Duran. Frankie Goes to Hollywood. Procol Harum. E tantos mais. Sorrisos. Abraços. A procura de um lugar. Entrava no EspaçoTeatro um sol que nos aquecia. Brincámos. Fechávamos um dia mais triste a sentir que a Vida vale a pena e que estávamos com quem mergulhara na tristeza. Depois, o lenço. Encontrões, o território a ocupar, sorrisos, de novo. 

E o palco encheu-se Deles. As histórias de Vida. As surpresas. Vejo-vos com vontade de desafiar os Deuses e enchem-me a alma de Vida. Vamos caminhando devagar para que isto aconteça com mais força ainda. E lá os esperaremos, os amigos, os colegas, os familiares, quem quiser vir.


Fiquem hYbris.










domingo, 17 de março de 2019

hYbris em processo...


Primeiro, os caminhos que se traçam no palco. Definidos. Sabemos de onde vimos e o destino de cada um. Agora, tentar perceber, afinal, porque somos tão importantes para os Outros. Eles que nos pediram esta cedência-corpo para também se descobrirem. E correm os dias, assim, para que possamos sorrir mais ainda e acreditar. No Outros. Principalmente em Nós.















domingo, 10 de março de 2019

Ensaiar...




Não deixa de ser um dos momentos mais importantes e esperados. A marcação cénica traz a visão do encenador e com ela surgem pormenores que darão mais corpo às personagens. Foi o que fizemos. Repete-se muito, interrompe-se, procuram-se soluções para obstáculos imprevistos. Mas o espetáculo já lá está. As luzes, o som, os figurinos que se vão alterando, aos poucos. Ouvir o Outro, perceber a biomecânica corporal em prol da fluidez cénica, o equilíbrio das cenas no palco... Limpar, limpar. Menos é mais. E, aos poucos, vai crescendo esta vontade de vencer este desafio. Voltamos a querer ser maiores do que os deuses.

Somos hYbris, por isso.

Fiquem hYbris.












sábado, 2 de março de 2019

E tudo está bem...



E tudo está bem quando se partilham paixões, sorrisos, olhares cúmplices. E tudo está bem quando há compreensão e se percebe que se encontra equilíbrio na simetria do que somos uns dos outros. Eu, Um Lado, Tu Um Lado, Nós no caminho para um Todo. Ouvir o Outro, apercebermo-nos do espaço que ocupa para nele podermos entrar de forma honesta, verdadeira. E surgem mundos que fazem falta e que sempre lá estiveram. Levanto-me, dou-te o lugar, sentas-te, chegas-te para um lado para me poder sentar. O Palco onde nos encontramos. O Palco onde amamos. Onde fingimos, onde mentimos, onde nos mascaramos. 


E tudo está bem quando...













sábado, 16 de fevereiro de 2019

De forma subtil...



E aos poucos, sem que se apercebam ainda, começam a deixar de ser quem são na vida real para deixarem que os Outros vos tomem e vos sussurrem, aos ouvidos estamos aqui e esta é a vossa hora... E com pequenos passos, é para lá que caminhos. 




Fiquem hYbris.














Tampas-Vida...







Lembro-me de lhes ter chamado Tampas-Vida. Vejo-as movimentarem-se, ouço o respirar de cada um que nelas habita. Sorriem umas para os outras, zangam-se, acham o atrevimento daquela uma vergonha, uma desgraça, tudo. E o espaço enche-se de novo, a Vida volta a pulsar. E é tão bom voltar a sentir tudo isto.



Como o volante de Campos.



(Obrigado, NV!)