sábado, 7 de fevereiro de 2015

Memória



(... memórias...)

São brancas as paredes. Azul o chão. Leva-nos o corpo por entre os pequenos traços pretos, nestas folhas-neve, a que procuramos dar vida. Está frio. Muito frio. Este é um espaço novo. Bonito. E os espaços só são frios porque nunca foram habitados. Também o Amor. A Amizade... É o ritmo de corações, dos gestos, dos nossos olhares que os tornam mais quentes. Mas o desconforto, desta vez, leva-nos, de novo, de volta à Sala-R. Recebe-nos a senhora do sorriso bonito. Há Calor neste sorriso. Há Abraço. Gosto de vos ver aqui, de vos ouvir, diz-nos em gestos tímidos que lamentou a nossa saída para o outro espaço. Aqui estamos. Sorrimos todos. Somos poucos. Três. Assim nos vamos ajudando. Gerindo as nossas vidas para mais tarde recordar o Tanto que somos no Tanto que Elas, em segredo, no texto, são. Como lá chegar? Como ser Tanto?
 
(... memórias...
Oiçam. Oiçam como nos falam...)
 
Sim. Choraremos. Deixar-nos-emos ir nesta avalanche interior de Saudades. Olhamos, subitamente, o Palco e são Elas que lá estão.
 
Em Vida.
Na Vida.
Em Morte.
Na Morte.
 
Todos somos Ser-Dilema. Todos somos Ser-Opção. Olhamo-nos ao espelho vezes sem conta e temos a sorte, muito de vez em quando, de nos questionarmos sobre Aquele, Aquela que nos observa. Quem és tu que passas a escova pelos cabelos? Quem és tu que colocas um creme na cara? Quem és tu que lavas os dentes? Quem sou eu que vejo o sinal no rosto ou os detalhes que sempre lá estiveram e não me tinha apercebido? Todos nós somos Ser-Detalhe. E no palco, em segredo, num grito mudo, gritamos
 
Volta...!
... Volta!...
Tenho Saudades tuas.
 
Levanta-se a Memória, depois de um tranquilo descanso, estende-nos a mão, seguramo-la e caminhamos. Felizes.
 
Cumplicidades. Abraço-Carícia. Assim vamos sendo. No Teatro. Na Vida. Nos pequenos palcos. A caminhar como cegos que tudo veem. A caminhar no Arrependimento que nos ilumina.
 
Plenitude.
Máscara.
 

Sem comentários: