quarta-feira, 13 de maio de 2015

… sobre este projeto e ao hYbris, Grupo de Teatro



(Foi aquele palco que me fez ficar).
Sabem, será sempre difícil falar sobre o Teatro, pelo tanto que gosto dele. Ao longo destes tempos, independentemente de já estarem há mais ou menos tempo com o hYbris, muitos foram os que deram de si. Depois de o ter criado, o Grupo esteve parado uns anos. Depois, e graças a um conjunto de pessoas que Muito Queriam, surgiu um Projeto. Dava pelo nome de Persona. Máscara. Nem todos o compreenderam. Mas foi muito bonito. Todos cresceram. De alguma forma, seguiram as suas opções. E estas são sempre as mais acertadas, no momento em que se tomam. Será a Vida a mostrar se foram boas ou menos boas. E deste projeto ficou a Vontade, o Desafio. O Grupo de Teatro ressurgiu. E outras pessoas chegaram. De forma discreta, uns, com um valente bang outros, a magia voltara ao palco.
(Porque foi ele que me fez ficar).
Magia esmagadora. Sim. E ao fechar os olhos lembro-me do tanto que já fizemos e do quão grandioso é tudo isso. Serafim e Malacueco na Corte do Rei Escama. Projeto Persona. O Pássaro da Alma. O Bolso. Pontes Entre Nós. Auto da Barca do Inferno. Acrescento Antígona, por tudo o que já aconteceu. Fui estando com todos. Fomos estando com todos. (Temos saudades…). Têm sido muitos os obstáculos. Os horários, a burocracia no ensino, a incompreensão da importância do Teatro na Escola, as “troikas”, as avaliações… Não nos chamássemos nós hYbris e não os teríamos vencido. Mas aqui estamos. Temos rido. Temos chorado, desejado. Tenho-vos visto crescer, de ano para ano. Tenho-vos visto partir e observo-vos, depois, noutros mundos. Muito diferentes. A tornarem-se adultos. Lá diz o poeta “Boa noite, eu vou com as aves”. Sublime. Será sempre sublime este verso. São as aves que nos levam. Deve ser uma sensação única. Porque estas aves voam de forma suave, ao sabor de um vento sorridente. Vive-se demasiadamente depressa hoje. E de forma cega. Daquela que nada vê. É urgente que olhemos para o lado e nos tornemos “Eu-Caeiro”. É urgente. Para. Escuta. Olha. Embalar a Alma, levá-la por aí. Mas faz-se um like, dá menos trabalho, então…?! E termina-se com um lol.
Seremos, verdadeiramente, Sófocles, desta vez. Na vida de alguns será apenas um nome. Na de outros, será Artéria. Por enquanto Somos, apenas. Com os nossos afazeres. Com aqueles que nos gritam para irmos “por aqui”. E nós com a nossa paixão pelas Miragens. Vida-Sensação. Como no Teatro…
Fiquem hYbris, como costumamos dizer. E venham connosco. Sófocles já está na primeira fila. Lugar reservado. Claro. Bem merece. E todos os que tornaram este Grupo naquilo que ele é. De Teatro-Vida.

1 comentário:

Natália Nunes disse...

Merecem muitos, muitos comentários. O vosso trabalho levou-nos numa viagem que tem muitos séculos, mas cujas emoções são de hoje e serão de amanhã. E de repente somos Creonte, somos Antígona, somos Tirésias, somos o Coro, somos os conflitos, as dúvidas, a coragem. Pensei que esta peça seria demasiado difícil, pensei no peso do texto, do tema, mas o professor Paulo e vocês mostraram-me o contrário. Bravo! Bravo a todos.