quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Pontos(es)


 
Era uma vez… um Ponto. Começara por ser uma mancha suave, como se tivesse surgido por acaso. Do nada. Um ponto esbatido, apenas. Rapidamente escureceu. Gostava de caminhar ao sol. Caminhos, atalhos, bifurcações súbitas. Subira montanhas, descera vales. Mergulhara em rios desconhecidos. Do nada despontaram outros pontos. Tinham começado da mesma forma: Era uma vez um ponto. Caminhavam, agora juntos. Apercebiam-se das formas que faziam nascer. Pequenos comboios. Tornara-se a descida dos vales mais fácil porque agarravam as mãos uns dos outros. A escalada das montanhas também se tornara mais simples. Faziam o mesmo. Agarravam as mãos uns dos outros. Aperceberam-se que ao juntarem os sorrisos e os abraços ainda era mais fácil fazerem tudo. Agora eram uma reta. E assim iam unindo outros pontos. E desses pontos-retas nasciam letras. Traziam sons as letras. Um bater-bater regular. Os sorrisos eram ainda mais fáceis. Os abraços. Tudo se tornara mais leve. Apercebiam-se que ao levantarem os pés mais suavemente pousavam na madeira que os sustentava. Dançavam. Pululavam. Descobriram que uma reta é feita de pontos que tinham percorrido caminhos diferentes e que precisavam de dançar mais devagar. Voltavam, assim, a dar as mãos e ficavam a saber como era o brilho dos que andam mais devagar também. E lá seguiam, em linha reta. Como um comboio. Pequeno. Ou grande. No fundo não interessava. Custava-lhes saber que os pontos também precisam de ficar em determinadas estações e unir outros. Foi assim que nasceram os pontos-lágrimas. E a história começava “Era uma vez um Ponto-Lágrima que…”. Ou “Era uma vez um Sorriso-Saudade que…”.
Começaram novas estradas.
Sabiam que só a fechar estradas se conseguem abrir fronteiras?
 




 

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