quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Serão assim as memórias...?

 
(Cena Um)
 
Acordar... ensaiar...
 
 
 
(Cena Dois)
 
... uma...
... duas...
... três...
 
... horas... horas... horas...
 
 
 
(Cena Três)
 
... um ...
... dois ...

... três ...
... quatro ...
... cinco ...
... seis ...
 
... segundos... segundos... segundos...


Serão estas as memórias futuras...?
 
 
 

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Quem seremos...




... no fundo, ao Sermos Outros?
 
 
 
 
 

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Gotas de orvalho






São como pequenas gotas de orvalho aquelas que vos vejo nos rostos, agora. Olho-vos. Invade-vos o silêncio. Dançam, neles, traquinas Memórias. Vivas. Peço-vos quase o Impossível. É de Sangue-Juventude a matéria de que são feitos. Desse que vos levará tão longe. Serão outros os Palcos onde irão sorrir. Também chorar. Haverá Abraços. Saio de um espaço doente, onde se procura a Esperança e encontro-vos, nestas mesas que vos desafiam, assim, a quererem o Mundo. E tê-lo-ão. Bem o merecem. Vão-se emprestando a personagens que vos falam aos ouvidos. E nessas breves conversas, íntimas, intrometo-me.
 
Traz-me essa Memória. Agora.
 
Quem é ele?
Quem era ele?
Quem é ela?
O que fazia?
 
Quem somos...? Nós...?
 
Depois, afastamo-nos e refugiamo-nos nessa rotunda negra. Encontramos o abraço que nos acolhe, os sorrisos que nos transformam. O encosto da cadeira que nos desculpabiliza. Teremos uma praia. Iremos regressar à água e nela habitaremos por tempos. Mais tarde, no Fim de uma Tarde-Depois, o pública nada saberá disto. Perceberemos a o seu respirar e as mesmas gotas a saberem ao nosso mar.
 
Assim vamos vivendo. No meio de Memórias. Das nossas Memórias. E na Memórias dos Outros. Porque já o somos também. E entre a justiça e a injustiça, o bom e o mau, a rebeldia e a ingenuidade, a coragem e o arrependimento, o Tempo vai sendo curto. Demasiadamente curto.
 
É bom viver neste Palco-Mundo.
 
 
 

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Memória



(... memórias...)

São brancas as paredes. Azul o chão. Leva-nos o corpo por entre os pequenos traços pretos, nestas folhas-neve, a que procuramos dar vida. Está frio. Muito frio. Este é um espaço novo. Bonito. E os espaços só são frios porque nunca foram habitados. Também o Amor. A Amizade... É o ritmo de corações, dos gestos, dos nossos olhares que os tornam mais quentes. Mas o desconforto, desta vez, leva-nos, de novo, de volta à Sala-R. Recebe-nos a senhora do sorriso bonito. Há Calor neste sorriso. Há Abraço. Gosto de vos ver aqui, de vos ouvir, diz-nos em gestos tímidos que lamentou a nossa saída para o outro espaço. Aqui estamos. Sorrimos todos. Somos poucos. Três. Assim nos vamos ajudando. Gerindo as nossas vidas para mais tarde recordar o Tanto que somos no Tanto que Elas, em segredo, no texto, são. Como lá chegar? Como ser Tanto?
 
(... memórias...
Oiçam. Oiçam como nos falam...)
 
Sim. Choraremos. Deixar-nos-emos ir nesta avalanche interior de Saudades. Olhamos, subitamente, o Palco e são Elas que lá estão.
 
Em Vida.
Na Vida.
Em Morte.
Na Morte.
 
Todos somos Ser-Dilema. Todos somos Ser-Opção. Olhamo-nos ao espelho vezes sem conta e temos a sorte, muito de vez em quando, de nos questionarmos sobre Aquele, Aquela que nos observa. Quem és tu que passas a escova pelos cabelos? Quem és tu que colocas um creme na cara? Quem és tu que lavas os dentes? Quem sou eu que vejo o sinal no rosto ou os detalhes que sempre lá estiveram e não me tinha apercebido? Todos nós somos Ser-Detalhe. E no palco, em segredo, num grito mudo, gritamos
 
Volta...!
... Volta!...
Tenho Saudades tuas.
 
Levanta-se a Memória, depois de um tranquilo descanso, estende-nos a mão, seguramo-la e caminhamos. Felizes.
 
Cumplicidades. Abraço-Carícia. Assim vamos sendo. No Teatro. Na Vida. Nos pequenos palcos. A caminhar como cegos que tudo veem. A caminhar no Arrependimento que nos ilumina.
 
Plenitude.
Máscara.
 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

... em processo(s)...

Cena Um
 
 




Habituei-me a isto. Nas tardes em que o sol vai aquecendo a sala, a relembrar o NV e a agradecer-lhe, em segredo, esta magia feita de seres de plástico que vão dialogando entre si. Levá-los, depois, num pequeno bolso aos Sorrisos Quentes que me acolhem, cada vez que entro no Espaço-R. E ficamos por ali, depois, a confrontar os obstáculos que nos vão surgindo e a sorrir diante das soluções que encontramos. No fundo, a Vida. Apenas isso. A Vida.
 
 
 
Cena Dois
 
 
À barca, à barca, senhores, que teremos novas marés. Oh, poderoso público nosso, cá vindes vós, que cousa é esta? Entrai, entrai, não percamos mais maré...
 
Sim... Virão. Rir-nos-emos, de novo, quando se aperceberem do fogo infernal para onde caminharão... ih ih ih ih...
 
 
 
Cena Três
 






Um novo palco. Novas marcações. O frio é insuficiente para nos levar dali. Relembro, subitamente, a tempestade em que um velho Rei começou a ver, apoiado pelo seu sempre fiel Bobo. Estreitam-se relações, deseja-se, quem sabe, o Futuro-hYbris. Terão muitos desafios. A vontade de continuarmos com a mesma paixão de sempre. São assim estes processos. Feitos de olhares cúmplices. Voltarei a fechar a porta, no silêncio escuro. Ficará uma luz. E a vontade de voltar. Daqui a pouco. Um dia, qualquer dia.
 
Fiquem hYbris.
 

sábado, 24 de janeiro de 2015

... em desafios...







Voltar à magia dos ensaios. Percebermos, no fundo, quem somos e o que queremos.
 
(Vejo-vos crescer, dia a dia.)
 
Ouvem-me.
 
(Atenção à dicção. O que quer a personagem aqui? Como resolve ela a situação em que se encontra?)
 
Vamos falando da justiça e da injustiça. Do quanto podemos ser como animais. Obrigam-nos as regras a seguir desejos, vontades. As Vontades. Fica a revolta perante a Morte. Sussurram-nos os Deuses perante os nossos Desafios. Ir ao encontro da Essência do Teatro. Sim, estamos de novo a trabalhar. E apercebemo-nos que faria sentido agora este texto.
 
De hybris feito.
Em hYbris sentido.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

... a propósito...

 
Chico Buarque
Mulheres de Atenas
 

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Vivem pros seus maridos
Orgulho e raça de Atenas

Quando amadas, se perfumam
Se banham com leite, se arrumam
Suas melenas
Quando fustigadas não choram
Se ajoelham, pedem imploram
Mais duras penas; cadenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Sofrem pros seus maridos
Poder e força de Atenas

Quando eles embarcam soldados
Elas tecem longos bordados
Mil quarentenas
E quando eles voltam, sedentos
Querem arrancar, violentos
Carícias plenas, obscenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Despem-se pros maridos
Bravos guerreiros de Atenas

Quando eles se entopem de vinho
Costumam buscar um carinho
De outras falenas
Mas no fim da noite, aos pedaços
Quase sempre voltam pros braços
De suas pequenas, Helenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas:
Geram pros seus maridos
Os novos filhos de Atenas

Elas não têm gosto ou vontade
Nem defeito, nem qualidade
Têm medo apenas
Não tem sonhos, só tem presságios
O seu homem, mares, naufrágios
Lindas sirenas, morenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Temem por seus maridos
Heróis e amantes de Atenas

As jovens viúvas marcadas
E as gestantes abandonadas
Não fazem cenas
Vestem-se de negro, se encolhem
Se conformam e se recolhem
Às suas novenas, serenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Secam por seus maridos
Orgulho e raça de Atenas
 
 
(Obrigado, AI)