Sabem, começa sempre tudo com a escolha de um texto. Nunca é
fácil. Vai sendo o número de elementos do elenco que condiciona, em grande
parte, a escolha. Temos Vontades, Desejos. Às vezes, como este, surge de uma
brincadeira, de um disse-por-acaso, de um Sonho. Depois, a distribuição dos
papéis. Aqui funciona o critério principal.
A Vida.
A Vida.
Estimamo-la,
apaixonamo-nos por ela. Sabemos, no fundo, que (a acreditar), só temos esta e é
preciso aproveitá-la. E a Vida muda-nos. Ensina-nos. Repreende-nos. Faz-nos ter
Esperança. Chorar. Rir. Abraçar. Detestar. Acreditar. Sim. Acima de tudo,
Acreditar.
Com letra maiúscula.
E pela sensatez, pedimos, vamos pedindo, que
cada um de vós se sinta privilegiado por poder emprestar a Alma, o Corpo em que
habitam a personagens que vivem fechadas em papel. Se as abrirmos, elas
segredam-vos, falam-vos, abraçam-vos. Também vos podem detestar, odiar,
tornarem-se desconfiadas. Como na Vida. Na Vida. Cada um de nós é-personagem.
Cada um de nós deverá ter a consciência do que quer, onde quer chegar. Diz o
Poeta que não sabe por onde vai mas sabe que não vai por aí. Parece contraditório.
A Vida dir-vos-á que não. Já vos diz. Ao entrarem na Sala-R, trazem os vossos
desejos, as vossas lágrimas, os vossos sorrisos. Olho-vos nestas fotografias e
vejo Pessoas-Mundo. Aprendo. Aprendem. Ensino. Ensinam. É isso que é a Vida.
Chamam-lhe “Reciprocidade”. Esta palavra, iniciada pela letra R, que é também a
da nossa Sala, está perto de uma outra começada pela letra O. De “Obrigado”.
Caminham de mãos dadas, sabem? E depois voltamos à letra da nossa Sala, a
iniciar a palavra “Recompensa”. No fim de tudo isto, a palavra “Vida”. Que
começa com um “V”. De “Vitória”. De “Vida”. E, sem que se estivesse à espera,
tudo parece
fazer sentido.
E todos os dias tentamos levantarmo-nos para dar um
Sentido à nossa Vida. É isto que cada um dos elementos deste Grupo de Teatro
faz cada vez que vem a esta Sala, numa escola, em dias que são Sábados, dias de
interrupção de atividades letivas e tantos e tantos outros. Chegam sonolentos. Adoentados. Preocupados com o futuro académico. Cansados, no final do dia. A interrogarem-se. E, contudo, pediram-nos os Deuses
do Teatro, desta vez, que os homenageássemos, pelo tanto que nos têm dado. Cada
vez que aqui entramos sabemos que há alguém, um dramaturgo, um autor, que
gostava de teatro e que nos está a sorrir. Mais, que amava o Teatro. Eles fazem parte do público para
quem nós nos emprestamos. São, como no blog que criámos, “Expressões de Alma”.
Como a Pintura. A Escrita. O Cinema. E tantas e tantas outras. Nós, aqui,
escolhemos, nesta Sala, o Teatro. Porque há personagens que nos procuram, que
nos gritam aos ouvidos para nós nos transformarmos naquilo que é o Ser Humano
no que de mais belo tem e no que de mais monstruoso também comporta. Continuemos
a sê-lo. No fim, vê-los-emos partir, felizes. Nós também o ficaremos.
(E no fim, olharei para o palco e baixarei a minha cabeça,
suavemente.
Porque há letras a que temos que dar importância).
Reciprocidade
Obrigado
Vida
Vitória
Respeito
Entrega
Alma
Teatro
Teatro
Teatro