sábado, 16 de maio de 2015
... e por isso...
Sabem,
Ontem à noite, depois de ter
mergulhado o silêncio onde antes houvera Vida, depois das portas fechadas, não
fui logo para casa. No tempo em que estava na Faculdade costumava ir, a meio da
noite se fosse o caso, quase como ontem, entre os trabalhos a entregar e as noitadas
e as diretas, a um local
relativamente perto do espaço onde me encontrava. A Praça do Chile. Nessa Praça
existia uma Fábrica de bolos, que ainda hoje lá está. Descem-se umas escadas
estreitas, como se fossemos em direção a uma espécie de catacumbas, para comer
os bolos quentes que continuam a servir. Bolas de Berlim, pão com chouriço, mil
folhas, croissants com recheio ou simples, o que quiserem. Um dia, quando forem
para a Faculdade, ou não, deverão passar pela experiência de lá irem, descerem
aquelas escadas e com a companhia de amigos, colegas, entre outros, pedirem
bolos. Sabem a Vida. A Vida. Normalmente, quando era possível, íamos depois à
Ribeira beber um chocolate quente. Custava um pouco regressar. Nessa altura,
também os autocarros se deitavam para acordarem e começarem a resmungar por
volta das cinco da matina. Mas o prazer era o de ir a comer os bolos pela rua, altas
horas da noite, chegar à Ribeira e pedir o chocolate quente. Chegávamos, depois,
à Praça do “Senhor do Adeus” e lá voltava ao trabalho. Ainda hoje recordo as
noites de Inverno mas são elas que cada vez mais me aquecem a Alma, hoje em
dia.
Ontem, quando saí da escola, ao meter-me no carro,
precisei de fazer isto. Mudaram-se os tempos, envelheci. Mas o sabor do chocolate
quente continua-me na boca, assim como o dos bolos. Estava cansado. Muito
mesmo. Mas fui. E nos meus olhos passavam as imagens do que vira naquele palco.
Ia Cheio de Vocês. Ia Cheio de Vocês. Sabem, a vossa forma de estar na Vida
é-me, talvez, cada vez mais estranha. Como alguém me disse já este ano, “vivemos
em velocidade”. Eu, então, recordo as palavras do Coro. A sensatez. A velhice.
Aprecio muito mais agora. É natural. Tenho, apenas, mais anos porque a Loucura
continuo a trazê-la cá dentro. É a Loucura que nos leva à Índia, é a Loucura
que nos leva ao Espaço. Esta Loucura é necessária. Também eu me adapto. E como
tantas vezes vos digo, “levo a vida a partir-vos a cabeça” porque gostava de
sentir que antes do Grande Cais, vos ensinei algo, em especial no Teatro. É
aqui que lidamos essencialmente com os sentimentos. Os tecnocratas querem-nos
Máquinas-Saber noutro espaço cheio de cadeiras. Mas aqui rimos, choramos,
saltamos, corremos, damos as mãos, olhamo-nos. Já viram quantas vezes nos
olhamos, com olhos de ver, numa Sala-Cadeira? E na Sala-R? E enquanto conduzia,
via-vos passar à minha frente. Com asas, com máscaras, com medos (Quem nos leva
os nossos fantasmas?), com vontade de viver. Ia Cheio de Vocês. É assim que têm
que continuar. Com vontade de Viver e a Acreditar. Nunca deixem de acreditar
naquilo que veem ao espelho, nunca! E se virem algo mais triste por trás, a
olhar, fechem os olhos, respirem, sintam o Abraço-hYbris, levantem a cabeça e
sigam em frente. E lembrem-se sempre: nem sempre é preciso chorar para fazer
Teatro. Basta querer. (Disse-mo Sófocles, enquanto subia, de boca cheia, deliciado
com um bolo ainda a fumegar…!)
E por isso, Obrigado, Filipa e
Rita. Obrigado, B.. Obrigado, Daniela e Diana. Fábio, Pedro, Obrigado. Obrigado,
Luana. Obrigado, Wilidgelma. Inês e Inês, Obrigado. Carla e Pedro, Obrigado. Sandra. Obrigado (Obrigado
a todos, a todos aqueles os que nos ajudaram, que nos abraçaram, que, acima de
tudo, acreditaram em nós e nos disseram que seríamos capazes).
Fiquem hYbris. Mais do que nunca.
“Boa noite. hYbris, o Grupo de
Teatro agradece a vossa presença. Este texto que vão ver é…”
quarta-feira, 13 de maio de 2015
… sobre este projeto e ao hYbris, Grupo de Teatro
(Foi aquele palco que
me fez ficar).
Sabem, será sempre difícil falar
sobre o Teatro, pelo tanto que gosto dele. Ao longo destes tempos,
independentemente de já estarem há mais ou menos tempo com o hYbris,
muitos foram os que deram de si. Depois de o ter criado, o Grupo esteve parado
uns anos. Depois, e graças a um conjunto de pessoas que Muito Queriam, surgiu
um Projeto. Dava pelo nome de Persona.
Máscara. Nem todos o compreenderam. Mas foi muito bonito. Todos cresceram. De
alguma forma, seguiram as suas opções. E estas são sempre as mais acertadas, no
momento em que se tomam. Será a Vida a mostrar se foram boas ou menos boas. E
deste projeto ficou a Vontade, o Desafio. O Grupo de Teatro ressurgiu. E outras
pessoas chegaram. De forma discreta, uns, com um valente bang outros, a magia voltara ao palco.
(Porque foi ele que
me fez ficar).
Magia esmagadora. Sim. E ao
fechar os olhos lembro-me do tanto que já fizemos e do quão grandioso é tudo
isso. Serafim e Malacueco na Corte do Rei
Escama. Projeto Persona. O Pássaro da Alma. O Bolso. Pontes Entre Nós. Auto da Barca do
Inferno. Acrescento Antígona, por
tudo o que já aconteceu. Fui estando com todos. Fomos estando com todos. (Temos saudades…). Têm sido muitos os
obstáculos. Os horários, a burocracia no ensino, a incompreensão da importância
do Teatro na Escola, as “troikas”, as avaliações… Não nos chamássemos nós hYbris
e não os teríamos vencido. Mas aqui estamos. Temos rido. Temos chorado,
desejado. Tenho-vos visto crescer, de ano para ano. Tenho-vos visto partir e
observo-vos, depois, noutros mundos. Muito diferentes. A tornarem-se adultos.
Lá diz o poeta “Boa noite, eu vou com as
aves”. Sublime. Será sempre sublime este verso. São as aves que nos levam.
Deve ser uma sensação única. Porque estas aves voam de forma suave, ao sabor de
um vento sorridente. Vive-se demasiadamente depressa hoje. E de forma cega.
Daquela que nada vê. É urgente que olhemos para o lado e nos tornemos
“Eu-Caeiro”. É urgente. Para. Escuta. Olha. Embalar a Alma, levá-la por aí. Mas faz-se um like, dá menos trabalho,
então…?! E termina-se com um lol.
Seremos, verdadeiramente, Sófocles, desta vez. Na vida de
alguns será apenas um nome. Na de outros, será Artéria. Por enquanto Somos,
apenas. Com os nossos afazeres. Com aqueles que nos gritam para irmos “por
aqui”. E nós com a nossa paixão pelas Miragens. Vida-Sensação. Como no Teatro…
Fiquem hYbris, como costumamos dizer. E venham connosco. Sófocles já está
na primeira fila. Lugar reservado. Claro. Bem merece. E todos os que tornaram
este Grupo naquilo que ele é. De Teatro-Vida.
segunda-feira, 11 de maio de 2015
quinta-feira, 7 de maio de 2015
"Antígona", de Sófocles - Cartaz e Programa
Tudo começou na Noite de Natal. Procurámos novos caminhos. Foi a este que viemos parar. Cheio de atalhos, obstáculos por ultrapassar. Mas continuamos a acreditar que é possível. Será para a semana. Quatro apresentações. Queremos sentir que estão connosco. Como sempre o sentimos. Pelos sorrisos. Pelos abraços. Pelo calor. Pela magia. É apenas uma outra forma de estar. Depois teremos outros caminhos para percorrer. Como na Vida. E é na Sala-R que lá estaremos. Prometemos que tudo faremos para que se divirtam, para que sintam, como temos sentido, a Vida.
Apareçam.
(PM)
domingo, 3 de maio de 2015
Atrevimento...?
Seremos capazes? Conseguiremos, por minutos ínfimos, homenageá-lo? Ou castigar-nos-ão os deuses, enquanto sorriem?
quarta-feira, 22 de abril de 2015
Continuando com força.
Hoje fomos tampas. Tampas-tragédia incumbidas de uma missão que não a habitual. Tampas despidas de qualquer roupa, desviadas de um caminho padronizado. Deixámos sozinhas as garrafas que tapávamos. Experimentámos a liberdade à qual estamos condenados e permitimos a saída de uma água que não é mais do que uma alma envolvida num turbilhão de sentimentos. Sentimos dor. Sofremos. Fomos, mais uma vez, autênticos. Mas de nada vale a honestidade e abertura de uma simples garrafa se não formos movidos por uma cor. Pela mesma. A nossa.
Fábio Anunciação
Fábio Anunciação
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