segunda-feira, 5 de outubro de 2015

De novo as Pancadas... Uma... Duas... Moliére.

 
 
 
Os abraços quentes. Os sorrisos. O brilho nos olhos. As nossas pequenas infantilidades que tanto nos fazem querer viver. A sede. A sede de uma Arte que nos faz ser Outros naquele estrado de madeira que se tornou, no fundo, órgão. É assim que somos. É assim que estamos. Vamos deixando para trás, dia a dia, segundo a segundo, as conchas que que nos mantinham resguardados para construirmos as nossas ...para um dia aninhar. Somos a consciência dos nossos medos, das nossas vitórias. Lágrimas demasiadamente salgadas em momentos-angústia ou plenitude que nos faz voar. Assim crescemos. Assim nos renovamos. Continuamos a ser o desafio Do quotidiano. E o desafio No quotidiano. Queremos mais. 

 Não querer é viver morto.

Somos hYbris.


 A toda a comunidade escolar, um fantástico ano letivo.

 
(PM)

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Cumprimos...


Orgulho.

Além do muito que sinto, é, acima de tudo,

orgulho
orgulho

o que sinto por todos os que são hYbris e dão tanto pelo Teatro. Cada Um um mundo de sensações, de vivências e memórias. Em nome de quem não conhecemos. Seria tão bom podermos entrar numa cápsula espacial, atravessar Tempos-Fronteiras e falarmos-lhes. A Sófocles. A Gil Vicente. Dizer-lhes que tudo aquilo que escreveram ainda faz tanto sentido. É quase inacreditável que o Homem, afinal, tenha evoluído tão pouco quanto à mesquinhez, à arrogância, à ganância. Fica-nos a consciência. Tê-lo-ão imaginado assim? Épocas tão diferentes. Ou quem sabe, talvez não. Unem-nas (nos) esta Arte de Sentimentos (Fingidos?) onde somos tão Verdadeiros. A Verdade do Teatro. Trouxemos o mundo a um espaço tão pequeno e tornamo-lo gigantesco neste Desafio feito de desafios. Rimos. Chorámos. Criámos. Fomos uns-outros. Fomos hYbris. Queremos continuar a sê-lo. E algures, num Tempo que apenas adivinhamos, estará alguém, inquieto, à espera. E que já nos espreita, de sorriso discreto.

Até para o ano. Boas férias. Fiquem hYbris.

É orgulho aquilo que sinto. E tenho a Alma cheia de cada um de vocês.

PM

(Para breve o filme de “Antígona”)





Obrigado a todos os que nos apoiarem, que nos abraçaram, nos deram força e nos acompanharam. Obrigado a todos os que Lá estiveram. Continuaremos a dar o nosso melhor. Pela paixão. Pelo Teatro. Por querermos que a Escola se torne sempre uma boa memória. Por sermos hYbris.

Cumprimos.

Boas férias. Fiquem hYbris.
 
PM
 
 
 
 
 
 
 
 

domingo, 14 de junho de 2015

Rumo...




Sentar-se-ão em cadeiras pré-designadas para o efeito. Preencherão cabeçalhos, serão confirmados os vossos dados-Vida, aqueles que vos tornam, também Pessoas. Haverá um momento de espera. Como em qualquer Viagem, este será o tempo em que começarão a subir os degraus para entrarem neste Comboio-Palco que vos levará a uma nova Paragem. O corte de uma tesoura. O Segredo-Terror. No início parece tudo difícil. Passa-se por um pequeno Tempo em que Nós-Interiores nos organizamos mentalmente, enquanto a caneta já grita a Vontade de começar. E assim começa a Viagem. Como nas antigas locomotivas. As pesadas rodas de ferro patinavam perante tanto esforço, aderiam ao ferro e suavemente começava a Viagem. E dávamos por nós a apreciar a paisagem, lá fora, a apreciar a Magia do que pode ser a Vida quando é vivida de forma honesta, verdadeira. E para que outros possam entrar nesta Viagem, esta locomotiva tem a necessidade de parar. Parem, se assim for, fechem os olhos, sintam o ar, oiçam o silêncio. E deixem-se, de novo, Ir.
 
Qualquer Viagem exige uma preparação. Confiem. Acreditem. Respirem e Vivam.
 
Vai correr bem. Vai correr bem...
 
Fiquem hYbris.
 
 
 

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Mundo-Peso

 
 
 
É assim que costumamos ver o mundo, por vezes... Gostava de vos poder dizer deixem lá, esqueçam isso, eu faço, vivam os dias de juventude que têm e não se preocupem eu faço. Mas os Sonhos só o são porque têm sempre um elo de ferro, um pouco mais pesado, que lhes está associado. E carregá-lo nem sempre é fácil. Mas é esse elo que nos fará sorrir, depois. Daqui a uns dias estarão na areia de uma praia, numa esplanada, deitados num sítio qualquer a ler um livro, num picnic, em terras-outras, a escrever para alguém, a falar com alguém e estarão a sorrir. E estes dias, que são agora passados sentados, deitados, semi-sei-lá, a olhar para folhas rascunhadas, para manuais, a reverem tudo o que estudaram, com o desejo de nuvens mais cinzentas, tudo isto terá passado. Dirão que iam enlouquecendo, que já sonhavam com a matéria, que sentiram que não iam conseguir, que o desespero chegou a tomar conta de vocês, que vos apeteceu atirar folhas pela janela, que a Vida parece ser muito difícil, em alguns momentos. E di-lo-ão com um sorriso, a olharem para o mesmo elo que se tornara, agora, em algodão. Quem Sonha, verdadeiramente e de forma honesta terá sempre que carregar um elo. Porque o sorriso se torna mais forte, mais franco. E por isso vos digo que por muito difícil que vos pareçam os Tempos, em tempos, nunca desistam. Ajudem-se, apoiem-se, sejam os braços-abraços uns dos outros. Gritem se acharem que sim. Chorem, se acharem que sim. Mas riam bem alto depois. Dancem, saltem, corram.
 
E Sonhem. Sempre. Sonhem.
 
(PM)

sábado, 16 de maio de 2015

Começou assim...

 

... e por isso...



 




 

 
Sabem,
Ontem à noite, depois de ter mergulhado o silêncio onde antes houvera Vida, depois das portas fechadas, não fui logo para casa. No tempo em que estava na Faculdade costumava ir, a meio da noite se fosse o caso, quase como ontem, entre os trabalhos a entregar e as noitadas e as diretas, a um local relativamente perto do espaço onde me encontrava. A Praça do Chile. Nessa Praça existia uma Fábrica de bolos, que ainda hoje lá está. Descem-se umas escadas estreitas, como se fossemos em direção a uma espécie de catacumbas, para comer os bolos quentes que continuam a servir. Bolas de Berlim, pão com chouriço, mil folhas, croissants com recheio ou simples, o que quiserem. Um dia, quando forem para a Faculdade, ou não, deverão passar pela experiência de lá irem, descerem aquelas escadas e com a companhia de amigos, colegas, entre outros, pedirem bolos. Sabem a Vida. A Vida. Normalmente, quando era possível, íamos depois à Ribeira beber um chocolate quente. Custava um pouco regressar. Nessa altura, também os autocarros se deitavam para acordarem e começarem a resmungar por volta das cinco da matina. Mas o prazer era o de ir a comer os bolos pela rua, altas horas da noite, chegar à Ribeira e pedir o chocolate quente. Chegávamos, depois, à Praça do “Senhor do Adeus” e lá voltava ao trabalho. Ainda hoje recordo as noites de Inverno mas são elas que cada vez mais me aquecem a Alma, hoje em dia.
Ontem, quando saí da escola, ao meter-me no carro, precisei de fazer isto. Mudaram-se os tempos, envelheci. Mas o sabor do chocolate quente continua-me na boca, assim como o dos bolos. Estava cansado. Muito mesmo. Mas fui. E nos meus olhos passavam as imagens do que vira naquele palco. Ia Cheio de Vocês. Ia Cheio de Vocês. Sabem, a vossa forma de estar na Vida é-me, talvez, cada vez mais estranha. Como alguém me disse já este ano, “vivemos em velocidade”. Eu, então, recordo as palavras do Coro. A sensatez. A velhice. Aprecio muito mais agora. É natural. Tenho, apenas, mais anos porque a Loucura continuo a trazê-la cá dentro. É a Loucura que nos leva à Índia, é a Loucura que nos leva ao Espaço. Esta Loucura é necessária. Também eu me adapto. E como tantas vezes vos digo, “levo a vida a partir-vos a cabeça” porque gostava de sentir que antes do Grande Cais, vos ensinei algo, em especial no Teatro. É aqui que lidamos essencialmente com os sentimentos. Os tecnocratas querem-nos Máquinas-Saber noutro espaço cheio de cadeiras. Mas aqui rimos, choramos, saltamos, corremos, damos as mãos, olhamo-nos. Já viram quantas vezes nos olhamos, com olhos de ver, numa Sala-Cadeira? E na Sala-R? E enquanto conduzia, via-vos passar à minha frente. Com asas, com máscaras, com medos (Quem nos leva os nossos fantasmas?), com vontade de viver. Ia Cheio de Vocês. É assim que têm que continuar. Com vontade de Viver e a Acreditar. Nunca deixem de acreditar naquilo que veem ao espelho, nunca! E se virem algo mais triste por trás, a olhar, fechem os olhos, respirem, sintam o Abraço-hYbris, levantem a cabeça e sigam em frente. E lembrem-se sempre: nem sempre é preciso chorar para fazer Teatro. Basta querer. (Disse-mo Sófocles, enquanto subia, de boca cheia, deliciado com um bolo ainda a fumegar…!)
E por isso, Obrigado, Filipa e Rita. Obrigado, B.. Obrigado, Daniela e Diana. Fábio, Pedro, Obrigado. Obrigado, Luana. Obrigado, Wilidgelma. Inês e Inês, Obrigado. Carla e Pedro, Obrigado. Sandra. Obrigado (Obrigado a todos, a todos aqueles os que nos ajudaram, que nos abraçaram, que, acima de tudo, acreditaram em nós e nos disseram que seríamos capazes).  
Fiquem hYbris. Mais do que nunca.
 
“Boa noite. hYbris, o Grupo de Teatro agradece a vossa presença. Este texto que vão ver é…”
 

quarta-feira, 13 de maio de 2015

… sobre este projeto e ao hYbris, Grupo de Teatro



(Foi aquele palco que me fez ficar).
Sabem, será sempre difícil falar sobre o Teatro, pelo tanto que gosto dele. Ao longo destes tempos, independentemente de já estarem há mais ou menos tempo com o hYbris, muitos foram os que deram de si. Depois de o ter criado, o Grupo esteve parado uns anos. Depois, e graças a um conjunto de pessoas que Muito Queriam, surgiu um Projeto. Dava pelo nome de Persona. Máscara. Nem todos o compreenderam. Mas foi muito bonito. Todos cresceram. De alguma forma, seguiram as suas opções. E estas são sempre as mais acertadas, no momento em que se tomam. Será a Vida a mostrar se foram boas ou menos boas. E deste projeto ficou a Vontade, o Desafio. O Grupo de Teatro ressurgiu. E outras pessoas chegaram. De forma discreta, uns, com um valente bang outros, a magia voltara ao palco.
(Porque foi ele que me fez ficar).
Magia esmagadora. Sim. E ao fechar os olhos lembro-me do tanto que já fizemos e do quão grandioso é tudo isso. Serafim e Malacueco na Corte do Rei Escama. Projeto Persona. O Pássaro da Alma. O Bolso. Pontes Entre Nós. Auto da Barca do Inferno. Acrescento Antígona, por tudo o que já aconteceu. Fui estando com todos. Fomos estando com todos. (Temos saudades…). Têm sido muitos os obstáculos. Os horários, a burocracia no ensino, a incompreensão da importância do Teatro na Escola, as “troikas”, as avaliações… Não nos chamássemos nós hYbris e não os teríamos vencido. Mas aqui estamos. Temos rido. Temos chorado, desejado. Tenho-vos visto crescer, de ano para ano. Tenho-vos visto partir e observo-vos, depois, noutros mundos. Muito diferentes. A tornarem-se adultos. Lá diz o poeta “Boa noite, eu vou com as aves”. Sublime. Será sempre sublime este verso. São as aves que nos levam. Deve ser uma sensação única. Porque estas aves voam de forma suave, ao sabor de um vento sorridente. Vive-se demasiadamente depressa hoje. E de forma cega. Daquela que nada vê. É urgente que olhemos para o lado e nos tornemos “Eu-Caeiro”. É urgente. Para. Escuta. Olha. Embalar a Alma, levá-la por aí. Mas faz-se um like, dá menos trabalho, então…?! E termina-se com um lol.
Seremos, verdadeiramente, Sófocles, desta vez. Na vida de alguns será apenas um nome. Na de outros, será Artéria. Por enquanto Somos, apenas. Com os nossos afazeres. Com aqueles que nos gritam para irmos “por aqui”. E nós com a nossa paixão pelas Miragens. Vida-Sensação. Como no Teatro…
Fiquem hYbris, como costumamos dizer. E venham connosco. Sófocles já está na primeira fila. Lugar reservado. Claro. Bem merece. E todos os que tornaram este Grupo naquilo que ele é. De Teatro-Vida.