Não sei se é sempre assim na Vida. Ainda não o sei. Vejo-vos
a sorrir, a desdenhar, a invejar. Todas trazem um objetivo. Contá-lo. Querem
fazê-lo. Como se aquilo que faz rodar o Mundo dependesse disso tudo. Sobem as
escadas que não sabem que vão subir, sentar-se-ão de forma lânguida, sedutoras
umas vezes, calculistas outras. Enervar-se-ão. No fundo, parece estar tudo
louco. Menos a mais, curiosamente. É assim que vos vejo já. Iluminadas,
escondidas. Prontas a surgirem sem que os que estarão do Outro Lado o esperem.
Mas é para eles que o fazemos. É por eles que o fazemos. Queremos distribuir
sorrisos, este ano. Consegui-lo-emos? Teremos a força de Deuses que se sentirão
esmagados pela Vontade, que nos seguirão. Teremos quem sempre esteve, mesmo que
seja o Outro-Pensamento. Há movimentos na Vida que nunca terão fim. O Fim
também é Pausa.
Ouvi-as, hoje, de novo. Surgira o Palco numa folha de papel
branca. Sempre lá estivera. E a navegar em notas de Desertos Brancos fui
ouvindo o que me queriam dizer. E de olhos fechados vi cada uma de vocês. A Emprestarem-se.
A tornar aquele espaço o mais bonito deste onde há tanto vivemos. Folheia-se
uma folha aqui, sobe-se um degrau ali, contorna-se a rotunda que nos faz
circular depois… e assim vamos vivendo. A tornar um mundo cada vez com menos
Magia naquilo que todos fazemos com o Sol. Transformá-lo no Baloiço-Infância já
longínquo. Conseguimo-lo fazer? Não sei. Mas adormecemos a pensar que tentámos.
Ontem. Hoje. Veremos Amanhã.













