sábado, 10 de outubro de 2015

... nesta Vida de Tampas-Coração...

 
 
 
 
 

 
Não sei se é sempre assim na Vida. Ainda não o sei. Vejo-vos a sorrir, a desdenhar, a invejar. Todas trazem um objetivo. Contá-lo. Querem fazê-lo. Como se aquilo que faz rodar o Mundo dependesse disso tudo. Sobem as escadas que não sabem que vão subir, sentar-se-ão de forma lânguida, sedutoras umas vezes, calculistas outras. Enervar-se-ão. No fundo, parece estar tudo louco. Menos a mais, curiosamente. É assim que vos vejo já. Iluminadas, escondidas. Prontas a surgirem sem que os que estarão do Outro Lado o esperem. Mas é para eles que o fazemos. É por eles que o fazemos. Queremos distribuir sorrisos, este ano. Consegui-lo-emos? Teremos a força de Deuses que se sentirão esmagados pela Vontade, que nos seguirão. Teremos quem sempre esteve, mesmo que seja o Outro-Pensamento. Há movimentos na Vida que nunca terão fim. O Fim também é Pausa.
Ouvi-as, hoje, de novo. Surgira o Palco numa folha de papel branca. Sempre lá estivera. E a navegar em notas de Desertos Brancos fui ouvindo o que me queriam dizer. E de olhos fechados vi cada uma de vocês. A Emprestarem-se. A tornar aquele espaço o mais bonito deste onde há tanto vivemos. Folheia-se uma folha aqui, sobe-se um degrau ali, contorna-se a rotunda que nos faz circular depois… e assim vamos vivendo. A tornar um mundo cada vez com menos Magia naquilo que todos fazemos com o Sol. Transformá-lo no Baloiço-Infância já longínquo. Conseguimo-lo fazer? Não sei. Mas adormecemos a pensar que tentámos. Ontem. Hoje. Veremos Amanhã.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Pontos(es)


 
Era uma vez… um Ponto. Começara por ser uma mancha suave, como se tivesse surgido por acaso. Do nada. Um ponto esbatido, apenas. Rapidamente escureceu. Gostava de caminhar ao sol. Caminhos, atalhos, bifurcações súbitas. Subira montanhas, descera vales. Mergulhara em rios desconhecidos. Do nada despontaram outros pontos. Tinham começado da mesma forma: Era uma vez um ponto. Caminhavam, agora juntos. Apercebiam-se das formas que faziam nascer. Pequenos comboios. Tornara-se a descida dos vales mais fácil porque agarravam as mãos uns dos outros. A escalada das montanhas também se tornara mais simples. Faziam o mesmo. Agarravam as mãos uns dos outros. Aperceberam-se que ao juntarem os sorrisos e os abraços ainda era mais fácil fazerem tudo. Agora eram uma reta. E assim iam unindo outros pontos. E desses pontos-retas nasciam letras. Traziam sons as letras. Um bater-bater regular. Os sorrisos eram ainda mais fáceis. Os abraços. Tudo se tornara mais leve. Apercebiam-se que ao levantarem os pés mais suavemente pousavam na madeira que os sustentava. Dançavam. Pululavam. Descobriram que uma reta é feita de pontos que tinham percorrido caminhos diferentes e que precisavam de dançar mais devagar. Voltavam, assim, a dar as mãos e ficavam a saber como era o brilho dos que andam mais devagar também. E lá seguiam, em linha reta. Como um comboio. Pequeno. Ou grande. No fundo não interessava. Custava-lhes saber que os pontos também precisam de ficar em determinadas estações e unir outros. Foi assim que nasceram os pontos-lágrimas. E a história começava “Era uma vez um Ponto-Lágrima que…”. Ou “Era uma vez um Sorriso-Saudade que…”.
Começaram novas estradas.
Sabiam que só a fechar estradas se conseguem abrir fronteiras?
 




 

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

De novo as Pancadas... Uma... Duas... Moliére.

 
 
 
Os abraços quentes. Os sorrisos. O brilho nos olhos. As nossas pequenas infantilidades que tanto nos fazem querer viver. A sede. A sede de uma Arte que nos faz ser Outros naquele estrado de madeira que se tornou, no fundo, órgão. É assim que somos. É assim que estamos. Vamos deixando para trás, dia a dia, segundo a segundo, as conchas que que nos mantinham resguardados para construirmos as nossas ...para um dia aninhar. Somos a consciência dos nossos medos, das nossas vitórias. Lágrimas demasiadamente salgadas em momentos-angústia ou plenitude que nos faz voar. Assim crescemos. Assim nos renovamos. Continuamos a ser o desafio Do quotidiano. E o desafio No quotidiano. Queremos mais. 

 Não querer é viver morto.

Somos hYbris.


 A toda a comunidade escolar, um fantástico ano letivo.

 
(PM)

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Cumprimos...


Orgulho.

Além do muito que sinto, é, acima de tudo,

orgulho
orgulho

o que sinto por todos os que são hYbris e dão tanto pelo Teatro. Cada Um um mundo de sensações, de vivências e memórias. Em nome de quem não conhecemos. Seria tão bom podermos entrar numa cápsula espacial, atravessar Tempos-Fronteiras e falarmos-lhes. A Sófocles. A Gil Vicente. Dizer-lhes que tudo aquilo que escreveram ainda faz tanto sentido. É quase inacreditável que o Homem, afinal, tenha evoluído tão pouco quanto à mesquinhez, à arrogância, à ganância. Fica-nos a consciência. Tê-lo-ão imaginado assim? Épocas tão diferentes. Ou quem sabe, talvez não. Unem-nas (nos) esta Arte de Sentimentos (Fingidos?) onde somos tão Verdadeiros. A Verdade do Teatro. Trouxemos o mundo a um espaço tão pequeno e tornamo-lo gigantesco neste Desafio feito de desafios. Rimos. Chorámos. Criámos. Fomos uns-outros. Fomos hYbris. Queremos continuar a sê-lo. E algures, num Tempo que apenas adivinhamos, estará alguém, inquieto, à espera. E que já nos espreita, de sorriso discreto.

Até para o ano. Boas férias. Fiquem hYbris.

É orgulho aquilo que sinto. E tenho a Alma cheia de cada um de vocês.

PM

(Para breve o filme de “Antígona”)





Obrigado a todos os que nos apoiarem, que nos abraçaram, nos deram força e nos acompanharam. Obrigado a todos os que Lá estiveram. Continuaremos a dar o nosso melhor. Pela paixão. Pelo Teatro. Por querermos que a Escola se torne sempre uma boa memória. Por sermos hYbris.

Cumprimos.

Boas férias. Fiquem hYbris.
 
PM
 
 
 
 
 
 
 
 

domingo, 14 de junho de 2015

Rumo...




Sentar-se-ão em cadeiras pré-designadas para o efeito. Preencherão cabeçalhos, serão confirmados os vossos dados-Vida, aqueles que vos tornam, também Pessoas. Haverá um momento de espera. Como em qualquer Viagem, este será o tempo em que começarão a subir os degraus para entrarem neste Comboio-Palco que vos levará a uma nova Paragem. O corte de uma tesoura. O Segredo-Terror. No início parece tudo difícil. Passa-se por um pequeno Tempo em que Nós-Interiores nos organizamos mentalmente, enquanto a caneta já grita a Vontade de começar. E assim começa a Viagem. Como nas antigas locomotivas. As pesadas rodas de ferro patinavam perante tanto esforço, aderiam ao ferro e suavemente começava a Viagem. E dávamos por nós a apreciar a paisagem, lá fora, a apreciar a Magia do que pode ser a Vida quando é vivida de forma honesta, verdadeira. E para que outros possam entrar nesta Viagem, esta locomotiva tem a necessidade de parar. Parem, se assim for, fechem os olhos, sintam o ar, oiçam o silêncio. E deixem-se, de novo, Ir.
 
Qualquer Viagem exige uma preparação. Confiem. Acreditem. Respirem e Vivam.
 
Vai correr bem. Vai correr bem...
 
Fiquem hYbris.
 
 
 

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Mundo-Peso

 
 
 
É assim que costumamos ver o mundo, por vezes... Gostava de vos poder dizer deixem lá, esqueçam isso, eu faço, vivam os dias de juventude que têm e não se preocupem eu faço. Mas os Sonhos só o são porque têm sempre um elo de ferro, um pouco mais pesado, que lhes está associado. E carregá-lo nem sempre é fácil. Mas é esse elo que nos fará sorrir, depois. Daqui a uns dias estarão na areia de uma praia, numa esplanada, deitados num sítio qualquer a ler um livro, num picnic, em terras-outras, a escrever para alguém, a falar com alguém e estarão a sorrir. E estes dias, que são agora passados sentados, deitados, semi-sei-lá, a olhar para folhas rascunhadas, para manuais, a reverem tudo o que estudaram, com o desejo de nuvens mais cinzentas, tudo isto terá passado. Dirão que iam enlouquecendo, que já sonhavam com a matéria, que sentiram que não iam conseguir, que o desespero chegou a tomar conta de vocês, que vos apeteceu atirar folhas pela janela, que a Vida parece ser muito difícil, em alguns momentos. E di-lo-ão com um sorriso, a olharem para o mesmo elo que se tornara, agora, em algodão. Quem Sonha, verdadeiramente e de forma honesta terá sempre que carregar um elo. Porque o sorriso se torna mais forte, mais franco. E por isso vos digo que por muito difícil que vos pareçam os Tempos, em tempos, nunca desistam. Ajudem-se, apoiem-se, sejam os braços-abraços uns dos outros. Gritem se acharem que sim. Chorem, se acharem que sim. Mas riam bem alto depois. Dancem, saltem, corram.
 
E Sonhem. Sempre. Sonhem.
 
(PM)

sábado, 16 de maio de 2015