Sabem…
Sai-se de casa num carro, apanham-se comboios para se
chegar a um destino, caminha-se enquanto olhamos, nas montras, manequins que
testemunham o que lá fora se passa (quem verá quem, no fundo?), vive-se, cada
um à sua maneira (tantas vezes, cada vez mais, à maneira dos que nos querem a
viver de determinadas formas) e o tempo passa. Ao nosso lado, acompanham-nos os
anónimos, os amigos, a família, os colegas, os profissionais e os amadores, os
que nos amam e os que nem-por-isso e os que procuram, simplesmente, uma vida. A
sua, talvez. Ou a dos outros, também. Ver pessoas numa estação de comboios é
sempre uma experiência que vale a pena passar por ela. Ver pessoas nos
aeroportos também. Há as partidas (os choros, os abraços quentes, o
tem-cuidado-contigo-dá-notícias, o boa viagem, a vontade de ir também…) e as
chegadas (os choros, os abraços quentes, o que-tal-a-viagem,
vou-levar-te-a-imensos-sítios, olhares cúmplices, as esmagadoras-saudades, o
ficar-para-sempre…). Estar num jardim, sentado, também traz momentos
inesquecíveis. Porque ouvimos pássaros e as pequenas flores que com eles
dialogam. Bebemos a água que vemos naquela fonte (ali, veem?) e sentimos este
quentinho do sol que nos sobe pelo corpo, enquanto nos surpreende uma qualquer
brisa vinda não sei de onde. E vemos. E olhamos. E ouvimos, mais e mais. E
sentimos. Sentimos. E divagamos por nós próprios, como se fôssemos apenas uma
estrada cheia de curvas, em que precisamos de encontrar a linha certa para não
se sair do caminho. Afinal, as curvas, como se diz naquele anúncio, são retas
interessantes, o que é curioso. E no meio disto tudo, depois, para se conhecer
mundo, o estar quieto. Estar, simplesmente, parado. Sabem porquê?
Porque estar parado também é andar. Estar parado também é andar.
























