sábado, 27 de fevereiro de 2016

... em processo...



 

 
É assim que saio de casa. A olhar e a tentar perceber se o que vejo é neve, se apenas granizo que se acumulou durante a noite. Paro, fotografo. Acorda-me a brisa gélida que me atravessa a alma. Procuro o carro, que não me recordo onde deixei. Continua o frio. Olho as nuvens cinzentas, escuras, que me olham com um sorriso, a prometerem novo vendaval. Recordo a cama quente e continuo. Há corações quentes para onde vou, há novas procuras, novos desafios. Dificilmente alguém compreenderá esta paixão. Os que lá estão sabem-na, conhecem-na. Os que não lá estão também. Sentem-na. Querem-na, ainda que em formas diferentes. Como na vida. A estabelecer prioridades. Mas a procurar ser o melhor possível.

O caminho é feito debaixo de uma chuva miúda e traquina. O regresso será feito com o granizo a fustigar violentamente o vidro do carro. 

Já ele me espera, à estrada da Sala-R. Nota-se o sono no rosto de quem está. Mas a vontade de ali estar. “É a Hora”, diz o Poeta-Plural. Será a nossa, hoje. E será no Final.

           “No mais Musa, no mais, que a Lira tenho
             Destemperada, e a voz enrouquecida,
             E não do canto, mas de ver que venho
             Cantar a gente surda, e endurecida:
             O favor com que mais se acende o engenho,
             Não no dá a pátria, não, que está metida,
             No gosto da cobiça, e na rudeza
             D' hua austera, apagada, e vil tristeza.”


Disse-o o Poeta. E continuamos. Primeiro as cadeiras. Depois o chão. Está frio. O pequeno aquecedor procura trazer-nos algum conforto. A sala é grande. Mas maior é a vontade. “Não achas que as pessoas são uma coisa muito bonita?” Há pequenos toques de mão. Talvez fiquem para sempre. E continuamos. Teremos a magia do cinema. Veremos o arco-íris em estranhos bailados. Sorriremos no final.



Porque uma vez hYbris, sempre hYbris.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Aparência-hYbris









 
 
 
Sabem…
Sai-se de casa num carro, apanham-se comboios para se chegar a um destino, caminha-se enquanto olhamos, nas montras, manequins que testemunham o que lá fora se passa (quem verá quem, no fundo?), vive-se, cada um à sua maneira (tantas vezes, cada vez mais, à maneira dos que nos querem a viver de determinadas formas) e o tempo passa. Ao nosso lado, acompanham-nos os anónimos, os amigos, a família, os colegas, os profissionais e os amadores, os que nos amam e os que nem-por-isso e os que procuram, simplesmente, uma vida. A sua, talvez. Ou a dos outros, também. Ver pessoas numa estação de comboios é sempre uma experiência que vale a pena passar por ela. Ver pessoas nos aeroportos também. Há as partidas (os choros, os abraços quentes, o tem-cuidado-contigo-dá-notícias, o boa viagem, a vontade de ir também…) e as chegadas (os choros, os abraços quentes, o que-tal-a-viagem, vou-levar-te-a-imensos-sítios, olhares cúmplices, as esmagadoras-saudades, o ficar-para-sempre…). Estar num jardim, sentado, também traz momentos inesquecíveis. Porque ouvimos pássaros e as pequenas flores que com eles dialogam. Bebemos a água que vemos naquela fonte (ali, veem?) e sentimos este quentinho do sol que nos sobe pelo corpo, enquanto nos surpreende uma qualquer brisa vinda não sei de onde. E vemos. E olhamos. E ouvimos, mais e mais. E sentimos. Sentimos. E divagamos por nós próprios, como se fôssemos apenas uma estrada cheia de curvas, em que precisamos de encontrar a linha certa para não se sair do caminho. Afinal, as curvas, como se diz naquele anúncio, são retas interessantes, o que é curioso. E no meio disto tudo, depois, para se conhecer mundo, o estar quieto. Estar, simplesmente, parado. Sabem porquê?
 
 
 
Porque estar parado também é andar. Estar parado também é andar.
 
 
 
 
 

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Ler e refletir em modo-hYbris...




"Quanto maior é o talento do ator, mais ele se preocupa com a sua técnica, sobretudo quanto às suas qualidades interiores. (...) Nós, simples mortais, temos a obrigação de adquirir, desenvolver, treinar cada um dos elementos que compõem o estado criador em cena.

Isso leva tempo e dá muito trabalho. Mas nunca devemos esquecer que o ator que não tem nada além de capacidade nunca será um génio, ao passo que aqueles cujo talento é talvez menor, se estudarem a natureza da sua arte, as leis da criatividade, talvez se possam erguer à categoria dos que se assemelham aos génios. O sistema facilita esse desenvolvimento.
 
(...) Hoje vocês aprendem alguma coisa. E amanhã já pensam que podem dominar perfeitamente a técnica. Mas o sistema não é uma roupa feita que a gente enfia e sai andando, nem um livro de cozinha que basta se achar a página e lá está a nossa receita. Não. Ele é todo um tipo de vida, vocês terão que crescer com ele, de se educarem por ele, durante anos. Não podem abocanhá-lo de uma vez, podem assimilá-lo, absorvê-lo na carne e no sangue até que se torne uma segunda natureza, uma parte de tal modo orgânica dos seus seres, que vocês, como atores, sejam transformados por ele para o palco e para sempre. É um sistema que deve ser estudado parte por parte e depois fundido num todo, para que se compreendam os seus fundamentos. Quando forem capazes de abri-lo como um leque diante de vocês, é que poderão deveras apreendê-lo em sua inteireza. Não podem pretender fazê-lo de uma só vez. É como ir à guerra: tem-se de conquistar o terreno pouco a pouco, consolidar os ganhos, manter contacto com as comunicações da retaguarda, expandir, conquistar novas vitórias, antes que se possa falar em conquista definitiva.
 
(...)  O treino gradativo e o treino que isto proporciona são um enorme auxílio. Permitem-nos desenvolver cada novo recurso que aprendemos até que se torne um hábito automático, até que seja enxertado em nós. No início cada fator novo é um obstáculo, desvia toda a nossa atenção de outras questões mais importantes (...).
 
(...) A natureza criadora de todos os artistas (...) está em todos os centros e partes da nossa constituição física e espiritual, até mesmo naqueles dos  quais não nos apercebemos. Não dispomos de meios diretos para abordá-la, mas existem outros meios, pouco conhecidos e quase impraticáveis por enquanto."
 
in A Construção da Personagem, Constantin Stanislavski, Civilização Brasileira

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

hYbris Teatro - Aniversário...





nascimento
desafios
inovação
criatividade
partilha
cumplicidade
persistência
verdade
diferença
paixão
amor
abraço
complementaridade
identidade
entrega
 

Obrigado a todos os que connosco têm estado.

Fiquem hYbris.
 

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

O Palco...



... estava vazio. As cadeiras do público ainda estavam despidas. Não havia ali ninguém, mas mesmo assim… havia ali tanta Vida.
 
Rita Rebelo





 

É tão bom...


 
 
 
 
... fazer parte de tudo isto. É tão bom crescer Aqui. Crescer ao lado de quem nos quer bem, de quem partilha uma mesma paixão. O Teatro.

Não.

O Teatro da Vida.

Sim.

Com o tempo fomos percebendo que, mais do que fazer teatro, nós queremos vivê-lo. E vivêmo-lo juntos. Juntos vamos construindo um cantinho de partilhas, de histórias, de amizades, de cumplicidades, de ambições... de desafios. Juntos vamos construindo O Cantinho hYbris.

Um refúgio que já é tão nosso e que vamos partilhando com tantos Outros que vêm ao nosso encontro, curiosos e prontos para verem "O que é desta vez?".

E sorrimos. Sorrimos, porque é isto que nos enche o coração. É isto que nos move. É para isto que aqui estamos, para partilhar os sorrisos, as lágrimas, os ensinamentos, as lições... tudo o que vamos aprendendo ao longo de cada Desafio.

Tudo o que vamos aprendendo acerca da Vida.

É tão bom fazer parte de tudo isto. É tão bom crescer Aqui.
 
Filipa Rebelo

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Os rostos-hYbris de uma "italiana"...

São pequenos os pormenores que vos fazem o que são. Um rosto descaído, um olhar sagaz, outro mais infantil. Um rosto que questiona o mundo, outro que pensa sobre o Mundo. Cumplicidades trocadas. Memórias que nunca se apagarão. Dramaturgos surpreendidos com a audácia da vossa juventude, uma juventude capaz de mover mundos. São estes os vossos rostos. Vejo-vos crescer. Na vida. No Teatro. E tanto que têm crescido no Teatro.
 
Amanhã mais uma sessão. Não será a última. Teremos sempre a Vida.
 
Fiquem hYbris.