Talvez seja verdade. O Poeta diz que são os sonhos que nos mantém vivos e é por eles que vamos disfarçando o Grande Horizonte que queremos longínquo. De vez em quando, pára-se com vontade de repensar os passos dados e acabamos adormecidos nas tranquilas asas de uma ave que apenas nos transporta para um destino desconhecido. É assim que este Grupo tem feito o seu caminho, com muitos sonhos, com uma vontade indomável de agradecermos aos Deuses o privilégio com que nos honraram, o de sermos Outros no Outro que somos todos os dias. Para, assim, nos tornamos em nós próprios. Temos sido o alimento de nós próprios, no fundo. É nos nossos pesadelos que encontramos os obstáculos a ultrapassar, é no prazer que sussurramos a vulcânica felicidade de nos fragmentarmos em pequenas estrelas brilhantes, que conduzem a caminhos-descoberta. Pedir a alguém para ser a bússola que nos faz navegar em outros olhos torna-se a suprema alegria da vida.
Torna-te o meu sorriso, peço-te
Torno-me no teu sorriso, digo-te
E assim descobrimos. Assim nos aventuramos. É verdade, sim. Os Deuses parecem, de novo, despertar. As velhas cadeiras em que se encontravam sentados, outrora, agora envelhecidas pelas marcas do Tempo que passou, voltam a ser tocadas por eles, os que nos querem ver, sempre a acreditar que dificilmente chegaremos onde eles, há muito, já chegaram.
E regressa esta secular sensação do palco que me segreda uma vontade devoradora de ser pisado, abanado, questionado. O segredo das luzes, a mesa cheia de fios e interruptores, a música estranha que nos invade, o nervoso miudinho e o quase pânico do público que se movimenta nas cadeiras, em enorme expectativa. Este ano será diferente. Este ano voltarão as crianças de cada um que há muito se esconderam atrás das regras de uma sociedade que nos castra, nos abafa. Imagino os medos, os sorrisos, as inseguranças, o não-tenho-jeito-para-isto-mas-quero-fazer e, no fim, o orgulho, a alegria de se ter conseguido. Por eles e, acima de tudo, por nós. Nós que Somos hYbris.
Que saudades tenho eu disto tudo.
Está quase.



































