Os jacarés têm destas coisas que
são o de ser um dos bichos mais feios que existe ao cimo da Terra, além de
serem falsos como as cobras e Judas (estranha relação esta, a de Judas e a das
cobras e dos jacarés). Poder-se-ia falar, aqui, dos crocodilos, também, pela
semelhança que terão com toda esta bicharada. As suas lágrimas não são,
propriamente, as mais verdadeiras porque aguardam as vítimas como se estivessem
calmamente refastelados num qualquer colchão de parque de campismo, depois de
terem comido uma valente feijoada e nunca mais chegasse o bendito café que os
vais afastar do que nunca acontecerá: dormir que nem frade medieval após outro repasto (nova estranha relação
entre bicharada e seres humanos com capelo, o mesmo do polvo (e quem bem o
conhecia o Imperador da Língua Portuguesa, de acordo com o nosso Poeta-Plural).
Ora, levanta-se um grupo de gente “todos feitos dhuu
coraçom com tallente”, conforme diria o nosso Fernão Lopes, logo de manhãzinha,
a uma Sétima-Feira, e arranja forma de chegar a este povoado tão cultural, onde
já os aguarda o encenador diabólico. Uns terão que partir, a seguir, para
campos onde se debateu o Infante, outros mergulharão nas águas de Protéu,
outros juntar-se-ão a familiares, amigos… Caminha o dito grupo para a Sala-R,
onde os aguarda, nem mais nem menos, do que esse animal feio e mistura de
polvo-Judas-Frade-medieval-cobra-crocodilo. O que é estranho, no meio desta
referência à Transformer, é que este dito bicho, violentíssimo (diga-se de
passagem), os faz sorrir. Pensa-se nisto. Há qualquer coisa de estranho, ou
antes, tendo em conta o povoado cultural em que se está, há “algo” (que
bonito!) de estranho. Não é suposto que um bicho destes, falso como Ju… não
repitamos o que já foi dito anteriormente… faça rir. Um bicho destes, que
verdadeiramente se preze, deve assustar. Não fazer cócegas. E este grupo de
gente, que anteriormente tinha procurado, de forma extremamente bélica (sorri
Camões, agora!) os estandartes inimigos, empurrando, saltando por cima,
atropelando, formiguedeando, gotejando, dando cotoveladas fortíssimas nos
narizes dos inimigos, pregando rasteiras (esta é mentira, mas fica bem para
realçar a expressividade da utilização das formas verbais neste contexto,
dir-se-ia, épico!), decide (assim o requer a coerência divina), fazer uma
ponte, construída aos empurrões (batota… batota… grita o encenador, furibundo! Que
os devia ter mandado voltar ao início para serem trucidados pelas valentes
dentadas dos ditos ferozes, violentíssimos seres que, com tanta mistura, mais parecem
semáforos avariados a caminho de um bar esquisitíssimo nos confins da Barbárielândia,
onde se contam piadas loucas e completamente nonsense sobre bebidas) como se se
tivesse soltado um T-Rex (mais conhecido, entre os amiguinhos das noitadas,
pelo Rinoceronte em /T/ ) alucinado. E assim atingiu o seu objetivo este grupo
de gente, mais desperta e satisfeita (saltaram mesmo de contentes, os maganos)
por terem vencido o malfadado bicho-mistura (que ainda lá deve estar a chorar
de baixinho, a deitar contas à vida!).
Após esta temível aventura, as “gentes
da Arte Dramática” procuraram, dentro de si (… há algo do filme “Exorcista”
subtilmente delineado nestas palavras) os Outros.
Ou antes, foi ao contrário. Eles
ainda não perceberam isso mas eles é que são as Personagens. E, quão Lucky Luck
a caminho do pôr-do-sol, assim se riu o Encenador, feliz. Todos tinham
derrotado o Bicho-Mistura e surgira, de alguma forma, a Magia do Abraço-hYbris.
(PM)