domingo, 10 de fevereiro de 2019

... sobre a ausência...



















All the world’s a stage,
And all the men and women merely players;
They have their exits and their entrances;
And one man in his time plays many parts,
His acts being seven ages. At first the infant,
Mewling and puking in the nurse’s arms;
And then the whining school-boy, with his satchel
And shining morning face, creeping like snail
Unwillingly to school. And then the lover,
Sighing like furnace, with a woeful ballad
Made to his mistress’ eyebrow. Then a soldier,
Full of strange oaths, and bearded like the pard,
Jealous in honour, sudden and quick in quarrel,
Seeking the bubble reputation
Even in the cannon’s mouth. And then the justice,
In fair round belly with good capon lin’d,
With eyes severe and beard of formal cut,
Full of wise saws and modern instances;
And so he plays his part. The sixth age shifts
Into the lean and slipper’d pantaloon,
With spectacles on nose and pouch on side;
His youthful hose, well sav’d, a world too wide
For his shrunk shank; and his big manly voice,
Turning again toward childish treble, pipes
And whistles in his sound. Last scene of all,
That ends this strange eventful history,
Is second childishness and mere oblivion;
Sans teeth, sans eyes, sans taste, sans everything.



(from William Shakespeare, As You Like It, spoken by Jaques)



Quis o maior Dramaturgo de todos os tempos que fosse ele a imortalizar uma das maiores verdades com que todos nos deparamos: o mundo é um palco onde todos nós nos movemos como atores. Como se obedecêssemos a uma espécie de desígnio lançado pelos Deuses, vamos saindo e entrando do e para o palco como a rotina diária que cumprimos. E quando nos deitamos, apercebemo-nos que a Vida parece ser, umas vezes, muito injusta, outras, parece, simplesmente, sorrir-nos. Contracenamos no comboio, em casa, nos cinemas, nos bares, a ouvir um qualquer saxofone perdido na noite enquanto, algures se suspira através de uma janela, no trabalho, no carro, enquanto murmuramos uma cantiga-memória que agora passa no rádio. Encontramo-nos uns com os outros, sorrimos, choramos, rogamos pragas, agradecemos o bem que vamos tendo... As rotinas, o respirar, as pontes atravessadas enquanto nos agarramos a outro, o perigo que espreita, ali, com um sorriso… Alguém fica a dormir numa cama, aninhado em sonhos que nos elevam ou nos aliviam, assim que abrimos os olhos.

Sim, digo, sim, dizes e depois, perguntas, depois, penso, o mundo.

E a estrada passa a ser percorrida à velocidade que nos deixarem. 

Tal e qual como na Vida.

Tal e qual como no Palco.





sábado, 2 de fevereiro de 2019

Fénix



















Há silêncio neste Espaço. Há sussurros de Vozes-Saudade que me segredam ao ouvido a Vontade do Início...

... hYbris...
... hYbris...
... hYbris...

Invadem-me os sonhos de todos os que pisaram este palco.

Tornem-no Sagrado!
Sonhem-no!
Desejem-no!

E neste silêncio feito de aventuras e viagens, aos poucos, vão chegando. Está frio lá fora. Está muito frio lá fora e chove. Aquecera-me o abraço quente e carinhoso da d. J., sempre com um olhar brilhante e um sorriso meigo. Também ela é hYbris. Os cachecóis que trazem a.o pescoço, os casacos, as botas, não os deixarão, possivelmente, confortáveis. Serão expostos a experiências... É, contudo, o Princípio. Aproveitemos o fim do dia. Acompanham-nos medos, frustrações mas também a esperança, a crença... E como tudo na vida, a descoberta é feita de forma tranquila e segura. 

Sim, posso deixar-te ocupar o meu espaço porque todos nós somos e seremos, a partir de agora, Um só Espaço. Os teus olhos tornam-se as tuas falas e é para ti que caminho. E, por isso, ofereço-te um número que nos tornará mais completos. E é na corda humana de nós-nós feitos que vamos perceber o caminho do Outro.

Voltou o Sonho, sim. Voltou esta vontade de sentir os projetores, colar interruptores numa mesa estreita e alta, quase caótica, ligar fios sem conta, esconder-me numa negra routnda onde se ouvirá o murmúrio das gentes que nos verão. E lá em cima, em cima...

... vêem?...

eles, de novo, a  relembrarem o que viram deste hYbris, agora Théatron e a acreditarem que a diversão será uma certeza.

Fiquem hYbris.

Somos hYbris.






quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Será...?




Talvez seja verdade. O Poeta diz que são os sonhos que nos mantém vivos e é por eles que vamos disfarçando o Grande Horizonte que queremos longínquo. De vez em quando, pára-se com vontade de repensar os passos dados e acabamos adormecidos nas tranquilas asas de uma ave que apenas nos transporta para um destino desconhecido. É assim que este Grupo tem feito o seu caminho, com muitos sonhos, com uma vontade indomável de agradecermos aos Deuses o privilégio com que nos honraram, o de sermos Outros no Outro que somos todos os dias. Para, assim, nos tornamos em nós próprios. Temos sido o alimento de nós próprios, no fundo. É nos nossos pesadelos que encontramos os obstáculos a ultrapassar, é no prazer que sussurramos a vulcânica felicidade de nos fragmentarmos em pequenas estrelas brilhantes, que conduzem a caminhos-descoberta. Pedir a alguém para ser a bússola que nos faz navegar em outros olhos torna-se a suprema alegria da vida.

Torna-te o meu sorriso, peço-te
Torno-me no teu sorriso, digo-te

E assim descobrimos. Assim nos aventuramos. É verdade, sim. Os Deuses parecem, de novo, despertar. As velhas cadeiras em que se encontravam sentados, outrora, agora envelhecidas pelas marcas do Tempo que passou, voltam a ser tocadas por eles, os que nos querem ver, sempre a acreditar que dificilmente chegaremos onde eles, há muito, já chegaram. 

E regressa esta secular sensação do palco que me segreda uma vontade devoradora de ser pisado, abanado, questionado. O segredo das luzes, a mesa cheia de fios e interruptores, a música estranha que nos invade, o nervoso miudinho e o quase pânico do público que se movimenta nas cadeiras, em enorme expectativa. Este ano será diferente. Este ano voltarão as crianças de cada um que há muito se esconderam atrás das regras de uma sociedade que nos castra, nos abafa. Imagino os medos, os sorrisos, as inseguranças, o não-tenho-jeito-para-isto-mas-quero-fazer e, no fim, o orgulho, a alegria de se ter conseguido. Por eles e, acima de tudo, por nós. Nós que Somos hYbris.

Que saudades tenho eu disto tudo.

Está quase.



domingo, 22 de outubro de 2017

Recomeçar...



Vêmo-los chegar. Que expectativas trarão encerradas nos bolsos? Há projetos, há ideias. Há a memória de tempos e tempos ali passados. Volto a sentir os pequenos rangeres daquelas tábuas e a imaginar o que nos darão o corpo desta vez. O que esperarão eles? São cinco, agora. Somos sete, agora. Ainda oiço, em cada canto deste palco, as vozes de outros. E dos Outros. Ainda oiço a música acompanhada pelos projetores que se iam acendendo naquela mesa. As saudades das cabos, das extensões. A diferença dos dias naqueles minutos. Mundos feitos de tentativas. Tantas lágrimas. Tantos sorrisos. Há vidas para além desta. Ele fala na Fénix. Talvez, sim. Que apoios terá este novo Grupo, desta vez? Que vontades o tornarão o que era? 

Homenagear o Teatro. 
Sempre. 

Independentemente do que se passe, homenagear o Teatro. Talvez se voltem a sentar os nossos Deuses e sorrirem quando tudo começar. E tudo recomeça. Porque Somos hYbris. E porque estamos em estado de prontidão.

hYbris Théatron



















terça-feira, 22 de novembro de 2016

Notícias


Bom dia,

Sou a Sílvia, irmã do Paulo. O meu irmão agradece todo o vosso apoio e carinho que têm demonstrado ao longo destes terríveis dias. 

Da minha parte, não tenho palavras para expressar o quanto tem sido bom receber as vossas mensagens, os vossos telefonemas, a coragem e força, o quanto têm rezado por ele, por todas as energias positivas que lhe têm transmitido. Muito obrigada!

Se Deus quiser, assim que o Paulo sair do hospital, pede para vos dizer que entrará em contacto com todos para irem festejar mais esta vitória e entrarem em novas aventuras.


Bem HAJAM!


Sílvia

domingo, 27 de março de 2016

hYbris pelos lados de Viseu...

O Sol ainda gira em torno de uma Terra estática

e são os Homens das Artes que fazem o Mundo tremer.

O Teatro é arte.

Viajar é arte.

Viver também pode ser arte
se o fizermos de forma artística.

Acordamos e abrimos as cortinas
do palco,
vestimos as roupas
dos nossos personagens,
contracenamos,
e viajamos para lugares outros
onde somos efetivamente Outros.

Onde as estrelas vivem em gaiolas invertidas,
e o escuro é sinónimo de luz e de mãos entrelaçadas.

Onde as crianças aproveitam
a escuridão-luz de um tal Cinema Misterioso para
fazer contas com os dedos e acabam a
sonhar.

Os Pensamentos têm uma voz própria
e as casas também.

“As casas nascem, vivem e morrem.”
E nasce um beijo com sabor a mar
que faz a Terra-estátua girar.

O Universo enche-se de estrelas pirilampas
possíveis de serem apanhadas e
guardadas no bolso
para nos lembrarem de que,
afinal,
há sempre Luz.

E mesmo no escuro,
nós viajamos
e vivemos
e somos arte. 
Ana Rita Rebelo (Texto e fotografia)

 
 
(Para ler mais textos de Ana Rita Rebelo, ver aqui)

sexta-feira, 25 de março de 2016

Reinvenção...


Ao meu lado, um computador. Há momentos em que apetece a escrita na pedra, de novo. Porque é para isso que o Homem caminha cada vez mais. A bestialidade transformada em sorrisos que surgem, de forma cínica, hipócrita, em câmaras de televisão, na rua, nos locais públicos.
Neste mesmo computador, peça de alta tecnologia, ficção cientifica, diriam os mais Antigos, sinto a música tocada pelos dedos mágicos, quase divinos, de Nils. Vou com ele. Deixo-me embarcar e embalar, de forma simples. Outros mundos. Nunca sentiram que conseguiriam ir em cima de um tapete mágica a navegar ao sabor do vento? Outras visões. Como é possível criar esta música? Aquece-me um cachecol, tranquiliza-me a paz que aqui vivo, agora. O descanso. Olho a janela. O sol parece compreender toda esta magia. O seu conforto não lhe permite o ínfimo gesto. Sente o coração quente. Deixa-se abraçar, de vez em quando por esta ou aquela nuvem que, de forma traquina, o tenta esconder. Na minha secretária, um guião a ser reinventado. E imagino-vos. Vou supondo os vossos gestos, os vossos sorrisos, procuro perceber o vosso Futuro. Têm sido tanto num mundo que pouco vos têm dado. Cada um de nós, os adultos, procura soluções, saber-vos bem, bem-aventurados, tranquilos. Sentir o sol que agora (parece estar tão perto, sabem?) ilumina esta tarde que, aos poucos, se vai acinzentando. Sabe a ananás fresco no verão cada uma destas tardes. Ou ao leve crepitar da madeira. Gosto do cheiro dos pinheiros e não me canso de brincar com as pinhas. E no papel, cada um de vós, em forma de um pequeno círculo de papel, com uma inscrição colorida. Porque é assim que são. Coloridos. Têm trazido cor a este Espaço onde vos observam, vos ouvem os Outros. E é neste Contagio transformado em Arte que vamos vivendo da melhor forma. Aqui.
 
Fiquem hYbris.
Obrigado por tanto.